A manipulação do processo eleitoral no Brasil

ALIENAÇÃO = MANIPULAÇÃO = BOLSONARO ELEITO

 

Bolsonaro não foi eleito pelo voto popular e democrático em eleições justas, mas pela intervenção das mídias sociais que manipularam as mentes dos eleitores brasileiros sem senso crítico, bombardeados por mensagens de ódio antipetistas, antidemocráticas e antilulistas via Facebook e WhatsApp.

Não só mensagens de ódio, mas também por uma enxurrada de notícias falsas, a maioria sem links, mas outras com links que direcionavam à publicações de blogues de extrema-direita, previamente colocados no ar para passar credibilidade, mesmo sem expressões e cheios de erros gramaticais.

Além das notícias falsas, milhões de imagens e vídeos grosseiramente manipulados foram disparados em série para extrair dos brasileiros desatentos o que de pior existe na humanidade: o sentimento de ódio e repulsa, o desprezo aos iguais, reativando nossa cultura de casa grande e senzala, onde a pouco tempo escutávamos: “essa moça é de família”. A expressão se referia a moças e moços brancos, filhos de coronéis, grandes latifundiários de terras, senhores da casa grande. Somos muito primitivistas, presas fáceis dessas manipulações, crenças e misticismos inimagináveis, porque, não obstante à chegada da tecnologia de ponta e fácil acesso, carregamos dentro de si essa cultura escravagista e preconceituosa.

Com base em nosso perfil psicológico e emocional, traçado pela inteligência artificial da rede Facebook, esse material foi manipulado pelas equipes do norte-americano Steve Bannon, que sendo de extrema-direita fez parte da campanha eleitoral de Donald Trump para presidente dos EUA, e de Bolsonaro no Brasil.

VIRANDO A MESA

Durante o primeiro turno das eleições a vítima era o ex-presidente Lula, que foi preso em um processo totalmente viciado, sem base nem fundamentação jurídica, e teve sua liberdade de se expressar negada pelos tribunais. Mesmo preso e com profundo apelo midiático depreciativo, e de procuradores, desembargadores e juízes que questionavam se “os brasileiros votariam num condenado”, Lula se mantinha eleito em primeiro turno em todas as prévias, e em todos os cenários.

A FACADA?

Para desconstruir esse processo Bolsonaro tomou uma “facada” e passou a ser a vítima, sem comparecer às ruas, se recusando a ir aos debates deixando a campanha correr solta nas redes sociais, e assim foi eleito com 55% dos votos válidos, contra 45% do candidato melhor preparado.

A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA

Após acesso ao perfil psicológico dos internautas brasileiros, traçado pela inteligência artificial do Facebook e entregue pela Cambridge Analityca, Steve Bannson criou grupos ilimitados com números de celulares nos EUA para fazer a greve dos caminhoneiros, mostrando que a estratégia estava correta para a eleição de Bolsonaro e outros políticos de extrema-direita alinhados ao discurso de ódio no Brasil.

Depois de terem capturado nossos dados, como números de celulares, e-mails e perfis psicológicos exatos (a inteligência artificial sabe mais sobre você do que você mesmo), foi fácil manipular a massa para que pulasse no abismo.

A Cambridge Analytica (UK), Ltd. (CA) é uma empresa privada que combina mineração e análise de dados com comunicação estratégica para o processo eleitoral.

Foi criada em 2013, como um desdobramento de sua controladora britânica, a SCL Group para participar da política estadunidense.

Em 2014, a CA participou de 44 campanhas políticas. A empresa é, em parte, de propriedade da família de Robert Mercer, um estadunidense que gerencia fundos de cobertura e que apoia muitas causas politicamente conservadoras. A empresa mantém escritórios em Nova York, Washington, DC e Londres.

Em 2015, tornou-se conhecida como a empresa de análise de dados que trabalhou inicialmente para campanha presidencial de Ted Cruz. Em 2016, após a derrota de Cruz, a CA trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump, e também para a do Brexit, visando a saída do Reino Unido da União Europeia.

O papel da CA e o impacto sobre essas campanhas tem sido contestado e é objeto de investigações criminais em andamento tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido.

Em 18 de maio de 2018, a empresa registrou seu pedido de falência na Corte de Falências do Distrito Sul de Nova York, que foi assinado em nome do conselho de administração da Cambridge Analytica por Rebekah e Jennifer Mercer, filhas do bilionário Robert Mercer, encerrando assim suas operações tanto nos EUA quanto no Reino Unido.

Com o escândalo do vazamento de dados do Facebook, a empresa juntamente com sua controladora britânica “SCL Elections Ltd”, já haviam dito que fechariam imediatamente e começariam os procedimentos de falência após uma forte queda nos negócios.

Logo após a falência legal da Cambridge Analytica, ela se dividiu em 2 empresas, uma chamada CA Political, responsável pela parte política da empresa, e a CA Commercial, responsável pela parte comercial.

Dados do Facebook

Escândalo de dados Facebook–Cambridge Analytica

Em 17 de Março de 2018, os jornais The New York Times e The Observer reportaram que a Cambridge Analytica usou informações pessoais de 50 milhões de perfis que foram obtidas por um pesquisador externo.

Ele alegou estar coletando dados para fins acadêmicos. Em resposta, o Facebook baniu a Cambridge Analytica e proibiu a empresa de fazer publicidade em sua plataforma.

O jornal The Guardian também informou que o Facebook tinha conhecimento que essa violação de segurança aconteceu por dois anos, mas não fez nada para proteger seus usuários.

Em 4 de abril do mesmo ano o Facebook anunciou que as contas de pelo menos 87 milhões de pessoas foram atingidas em 10 países, e, segundo suas estimativas, os dados pessoais de 443 117 brasileiros foram usados sem consentimento prévio. Na realidade esses dados foram vendidos pelo Facebook, não existiu “ataque de Hacker’s”.

Nos Estados Unidos foram atingidas mais de 70 milhões de pessoas. O jornal The Guardian questionou a nota em que o Facebook anunciou essas informações porque ela divulgava principalmente as iniciativas da rede social para reverter os problemas de privacidade e apresentava os dados apenas no seu penúltimo parágrafo.

A atuação da empresa Facebook tem sido considerada como uma ameaça global à democracia.

Recomendamos o livro “Ódio Como Política”, Editora Biotempo (Esther Solano) e o documentário disponível no Youtube ou Vimeo “Driblando a Democracia”.

Assistam ao documentário

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